Apelo ao amor (Appello all’amore)

Em 2016 foi convidado para participar do Fliaraxá, um festival literário da cidade de Araxá em Mina Gerais, no Brasil. O festival, que tem curadoria de Afonso Borges, tinha escolhido como tema “O amor, a literatura e as diferenças”.

[Qui insieme a Leobardo Boff]

Tive a honra de realizar a conferência de abertura pela qual decidi de escrever um Apelo ao amor, expressando meu amor pelo Brasil, utilizando algumas palavras da literatura brasileira. Porque a nossa é uma história de amor e de palavras.

E talvez è por tudo aquilo que vivi, que aprendi, que descobri, pelo amor que recebi, pela historia, pela natureza, pela beleza das pessoas, pelo futuro das crianças, que me pergunto: como è possível escolher um presidente que quer matar, violentar, exterminar a diversidade um pais que è fundado sobre as diferenças?

Apelo ao amor

A maior riqueza do homem é a sua incompletude. (Manoel de Barros)

Por isso olhamos o horizonte desejando alcançá-lo e buscamos outras margens para além das quais esperamos encontrar quem somos.

Eu conhecia o Brasil pelos estereótipos. Os estereótipos que cada país, cada pessoa carrega consigo. Que o nosso olhar carrega consigo: Samba, carnaval, mulheres, praias, favelas…

Isso era o Brasil para mim.

Até que na universidade encontrei um mestre, um libertador diria. Paulo me mostrou que virando a cabeça para baixo, você pode ver o mundo do outro lado. Efetivamente, o Brasil está do lado oposto do mundo, mas esta é uma questão de perspectiva.

O oposto depende do ponto a partir do qual você quer olhar.

Graças a ele, conheci um Brasil diferente, escondido, real. Com Paulo Freire, me tornei um intelectual que não tem medo de ser amoroso. Amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade. (Paulo Freire)

Terminada a faculdade uma associação italiana que estava realizando um trabalho social na periferia de SP me convidou para vir trabalhar como educador e eu, com a leveza dos sonhadores e a coragem de um coração selvagem, fui.

Foram dois anos de infinitas relações, de vida, de aprendizagem.

Quando voltei para a Itália levei comigo este imenso pais e um desejo: desaprender para aprender de novo. Raspar as tintas com que me pintaram. Desencaixotar emoções, recuperar sentidos. (Rubem Alves, outro mestre)

Passou o tempo e o Brasil, mais uma vez, teve um papel importante para mim.

Estava no Brasil também quando meu coração se quebrou. Meu irmão morreu, de repente, lá na Itália, e eu estava aqui, sozinho. A dor é sempre experiência solitária. Mas me senti perdido, virei lagrimas e choro. Mais uma vez o país que não me deu à luz, cuidou de mim como uma mãe.

Brasil, um país-mãe que cuidou de muitos seres humanos, a maioria imigrantes procurando oportunidades. Mãe de filhos diferentes, todos filhos igualmente.

E o que é a diversidade em um país que é fundado sobre as diferenças?

A diversidade no Brasil não é uma opção, é um jeito de ser, o único.

Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. (Guimarães Rosa)

Mas o maior presente que o Brasil me deu foi o idioma, uma língua nova.

Se o italiano é minha língua materna, o português do Brasil é a minha língua paterna, eu diria.

País-pai então, que me ensinou a dizer aquilo que não conseguia dizer porque não tinhas as palavras, os verbos, o sotaque certo.

Comi e me alimentei de palavras e de sons e experimentei na carne-palavra que só a Antropofagia nos une. E que só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. (Oswald de Andrade)

Lei do amor.

Que nos empurra para o desconhecido que nos dá medo e nos fascina.

O desconhecido, no fundo, é a vocação de quem acredita no outro.

É a minha vocação.

Tenho vocação de Brasil

Sou café com leite

ainda preciso de tempo

ainda preciso de futuro

O futuro, possibilidade para quem ousa, para quem sai do conhecido ao encontro do quem sabe, talvez, pode ser…

E fui, pulei de olhos fechados.

É necessário certo grau de cegueira para poder enxergar determinadas coisas. É essa talvez a marca do artista. (Clarice Lispector)

Na maior feira do livro infantil do mundo, em Bolonha, cidade na qual nasci e cresci, encontrei um dia o meu futuro.

Na mão, um papel com o texto impresso e na cara o sorriso de quem acredita.

Entre as editoras do mundo inteiro, qual seria aquela que decidiria sentar e ler a minha historia?

Mais uma vez o Brasil, então.

O encontro com uma editora brasileira permitiu que meu desejo se transformasse em realidade: poder ser, enfim, um escritor.

Que sorte, poderia pensar alguém. Deu tudo certo.

Não mesmo… alguma coisa deu errado, aliás os erros foram as chaves que abriram para mim a porta da minha nova vida. Erros, possibilidades a inventar… escolhas, pensamentos e palavras:

Nonada, nonnulla!

Agora a vida é para mim, está se vendo, uma felicidade sem repouso. (Mário de Andrade)

E hoje aqui, novamente no Brasil, convidado neste festival que coloca no centro do nosso destino o amor, as diferenças e a leitura, festejando os meus 40 anos, quero expressar este amor e fazer um apelo.

Por isso me levanto porque o amor merece respeito.

Perante esta palavra tão abusada e tão desrespeitada, me levanto e silencio minha voz por alguns segundos, para poder degustar ainda melhor do sabor que tem uma palavra dita sentindo o peso do seu valor:

Amor

l’amor che move il sole e l’altre stelle (Dante)

E deixo aqui o meu apelo:

Não nos deixe!

Nunca.

Não nos deixe sozinhos

Não desista de nós.

Mesmo quando nos esquecermos de você e, sem amor, justificarmos os nosso piores atos: a rejeição ao outro; a violência exercida sobre os desamparados; a repressão; a exclusão; a guerra; o silêncio cúmplice; a corrupção; o estupro da natureza; a divisão e a guetização pela cor da pele, pela origem, pela orientação sexual, pelas escolhas…

Fica ao nosso lado e lembra-nos algumas palavras:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Jesus)

Não porque eu, você, nós, merecemos, mas, pelo contrário, porque nesta vida somos todos devedores e que podemos, senão…

Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer,

amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal, senão

rodar também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o áspero,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

(Carlos Drummond de Andrade)

 

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Le minoranze non vengono difese

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Le minoranze non sono difese quando vive e poca giustizia hanno anche da morte.

Femmine uccise da mariti, fidanzati, padri.

(24 dall’inizio dell’anno)

Uccise, anche dopo aver denunciato.

Nessun piano antiviolenza però viene messo in atto

Ragazzini picchiati o suicidi a causa del bullismo omofobico.

(Ultimo in ordine di tempo un ragazzo picchiato in strada a Bologna).

Violentati sotto gli sguardi, a volte compiaciuti, della massa.

Nessun piano anti omofobia però viene preso in considerazione.

Anzi.

Le minoranze non vengono difese.

Vengono attaccate.

Lobby gay che mirano a modificare radicalmente l’ordine naturale delle cose, femmine che devono essere ricondotte a un ruolo sociale accettabile, cioè in casa e zitte.

Accusate di essere colpevoli quando invece sono le vittime.

Non solo dagli anti gender.

Non solo da trogloditi ignoranti.

Non solo dai fascisti.

Anche da noi.

Dai benpensanti che alla fine di una frase aggiungono però…

Dai “ho tanti amici gay” ma…

Dagli insegnanti che non vedono il bambino per quello che è ma per quello che ha.

Dai “gli uomini non piangono”!

Dai giochi che recludono la femmina a un ruolo di subalternità

Dai bisbigli quando passi e magari sei più effemminato degli altri.

Dagli scherzi da spogliatoio.

Dal “ma è solo un messaggio in un gruppo”.

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Parole, frasi, sguardi che recludono l’altro in una triste e sconsolata solitudine dalla quale è difficilissimo uscire perché fuori, chi ci aspetta, desidera solo la nostra sconfitta, una sorta di normalizzazione.

Io sinceramente me lo chiedo.

Mi chiedo cosa si attivi nella mente di alcune persone, quale bisogno deve soddisfare questo desiderio di classificazione. Il bisogno di affermarsi come migliore dell’altro, definendo l’altro come peggiore.

Sei un frocio, sei solo una donna, stai zitta,

Ne ho subiti e ne ho visti tanti di atteggiamenti di questo tipo. Frasi di adulti e di bambini che hanno già introiettato pesantemente lo stereotipo e che, più o meno inconsapevolmente, contribuiscono alla costruzione di contesti violenti e sessisti

A scuola, a casa, in campo, in tv. Ovunque.

Un piano educativo, una legge e un impegno. Quello di ognuno di noi. Per cambiare, da subito, le nostre abitudini linguistiche e relazionali.

Perchè la felicità di chi ci sta vicino dipende da noi, da ora!

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Scrivere difficile per capire facile

Meloni e Salvini si infuriano: Elsa di Forze non può diventare lesbica, lasciate stare i nostri bambini.

A parte che non avere più argomenti per sostenere il proprio progetto politico ti porta a raschiare il fondo del barile, c’è un’altro aspetto interessante in affermazioni come questa.

Una specie di iper semplificazione del linguaggio, della comunicazione, della realtà.
Elsa non deve diventare lesbica, non perchè le lesbiche non esistono, ma perché se non lo diciamo esplicitamente, se non le diamo un ruolo esistono un po’ meno.

Soprattutto a chi lavora con i bambini viene chiesto di rendere più semplici i concetti, sia come forma che come contenuto. Che tu sia un insegnante, un educatore, un autore non solo dovresti dire le cose in modo facile, usando parole (o immagini) semplici ma dovresti anche semplificare i concetti, ridurli a un accenno, magari nasconderli dietro una forma povera, perfino negarli.

(Si può parlare della morte? E della guerra? Ma va bene parlare di diversità? E di sessualità? Di quelle due mamme? E di Dio? Ma Mafia si può dire? E il presepe dobbiamo toglierlo?)

Ecco, io penso che ci sia una grande contraddizione intorno alla parola semplificazione.
La semplificazione non dovrebbe aver nulla a che fare con l’impoverimento del contenuto.
Semplificare un testo significa adattarlo alla capacità di comprensione dell’interlocutore in modo che chi ascolta non abbia ostacoli oggettivi che lo limitino nella relazione col testo.
Semplificare un testo ha la stessa funzione di mettere un ascensore dove ci sono le scale per fare in modo che una carrozzina possa salire fino all’ultimo piano di un grattacielo senza difficoltà.
Non significa trasformare il grattacielo in un monolocale a piano terra.

La lettura, a mio avviso, deve produrre un disagio, un movimento.
Non conoscere una parola (usata dall’autore non per il puro gusto di stupire ma perché frutto di una ricchezza lessicale o del desiderio di trovare il termine giusto per quel concetto) o dover rileggere più di una volta un passaggio, non è un limite o un disvalore per un testo.
È una difficoltà, questo sì.
Ma è ciò che serve per evolvere, per non rimanere completamente fermi.
È una sfida, un viaggio in cui chi scrive conduce, un cambiamento.

Per questo scrivere difficile non è il contrario di semplificare.
Scrivere difficile significa credere nel lettore, avere fiducia.
Significa essere consapevoli del nostro interlocutore senza nulla togliere alla complessità di un ragionamento o al peso specifico di un argomento.

Significa costruire un ponte per attraversare un lungo burrone: non ti passeranno le vertigini ma saprai come superarlo.

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Buffalo Bella – Io sarò chi voglio

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Libri straordinari.

Che hanno la profondità per portarci dentro le storie di tanti, bambini e adulti, noi, i nostri compagni, i nostri vicini, colleghi, amici, persone che vivono l’esperienza dell’essere altro, non riconosciuti, spesso ricondotti a un’idea di normalità che tranquillizza solo chi normale pensa di esserlo.

Fu un colpo, un’esplosione

una bomba di notizia:

una lui

Chi cadeva dalle nuvole, chi pregava:

torna in te

una lei

Parole, solo parole, che essendo parole hanno l’altezza per elevarci oltre il nostro piccolo recinto, oltre quel pezzo di mondo che conosciamo o pensiamo di conoscere così bene. Parole che come una scala nel cielo ci portano sulle nuvole. Parole che una volta dette definiscono, finiscono la nostra identità.

Allo stato civile

non sanno come trattare

chi non sta in una sola casella

chi non sta in una sola vocale

Libri che verranno additati come pericolosi, perchè in effetti pericolosi lo sono. Come è pericolosa una chiave che apre nuove stanze, come una lente che permette di mettere a fuoco, come una primavera che sboccia, come la consapevolezza che ciò che pensiamo possa esistere, esiste veramente. In effetti  ciò che ci fa più para è ciò che esiste e che cerchiamo in tutti i modi di nascondere, negare, eliminare.

La diversità, per esempio, l’unicità, l’indefinibilità, le scelte, in fondo la libertà.

Anche di essere chi vogliamo, se essere noi stessi è riducibile a una scelta di volontà. Anche di essere lei invece che lui. Anche di amare chi porta le nostre stesse vocali.

io sono corso d’acqua

io sono questo corso d’acqua e scorro fino alla foce

là, io sono fiume

corrente contro marea

fino a che è l’oceano

immenso

dove nulla s’aggiunge,

nulla si toglie,

il riposo, la quiete,

la pace

e poi

né fiume

né corso d’acqua,

io sono l’onda

che traccio nell’oceano

io sono chi sono

io sarò chi voglio

Buffalo Bella

 

Buffalo Bella è un libro scritto da Olivier Douzou e tradotto magistralmente dalla bravissima Giusi Quarenghi, pubblicato da Edizione Settenove

Dal sito di Settenove:

“Ci sono persone che nascono e crescono sicure della propria identità – maschile o femminile – e il loro modo di vivere e comportarsi corrisponde alle aspettative del resto del mondo.
Ci sono persone, invece, che percepiscono di essere «altro » rispetto a ciò che appaiono e il loro modo di vivere più autentico e naturale non corrisponde a nessuna delle aspettative che la società ha su di loro.
Questa è la storia di una bambina appassionata di cowboy, che si diverte a confondere il lui e il lei, che qualcuno chiama Annabil, parafrasando Buffalo Bill, mentre lei preferisce farsi chiamare Buffalo Bella.

È un lui o una lei?
Se da bambina la confusione sembra un gioco buffo, crescendo la questione diventa tutt’altro che frivola.
Giocando con le rime e con le parole, Olivier Douzou e la traduzione italiana di Giusi Quarenghi narrano i dubbi di una bambina alla ricerca della propria identità.
Le vocali maschili, femminili e neutre, «o», «i», «a», «e», «u» sono sempre in grassetto, facilitando la lettura. Le illustrazioni, realizzate in nero, a matita grassa, evocano la ruvidità della narrazione e la sfocatura dell’identità che si va definendo.

Un libro raro, che ha avuto un grande successo in Francia, in grado di affrontare uno dei temi più spinosi e meno conosciuti della nostra epoca con poesia e serenità. “

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Lezioni sud-americane o della Primavera Letteraria Brasiliana

 

cover_facebook_plb_182_previewRicordate le Lezioni Americane di Italo Calvino?

Non sapete nemmeno di cosa si tratta?

Bene, vi rinfresco comunque la memoria. Calvino scrisse, in vista di alcune lezioni presso l’Università di Harvard, cinque riflessioni sui valori e le qualità che la letteratura del nuovo millennio avrebbe dovuto conservare. Sarebbero dovute essere sei, ma l’ultima non ebbe tempo di scriverla.

Ricardo Pigia, scrittore argentino, durante una conferenza nel 2000 a Cuba, Tre proposte per il nuovo millennio e cinque difficoltà, si propone di scrivere proprio questa sesta lezione. Non sarà la Consistenza, così come aveva progettato Calvino, ma il dislocamento “distanza, cambio di posto che significa uscire dal centro, lasciare che la lingua parli anche dai bordi, dalle periferie, da ciò che si sente, da ciò che viene dall’altro”.

Racconto questo perché leggendo e conoscendo il pensiero di Piglia ho capito alcune cose su di me, sulla mia scrittura, sul senso e l’opportunità che mi trovo tra le mani.

Come potremmo considerare questo problema dal punto di vista dell’America Ispanica, dell’Argentina, di Buenos Aires, di un sobborgo del mondo. Come vedremo il problema del futuro della letteratura e della sua funzione. Non come lo vede qualcuno in un paese centrale con una grande tradizione culturale. Proponiamo quindi questo problema a partire dai margini, dalle periferie delle tradizioni centrali. E questo sguardo diagonale ci dà una percezione, forse, diversa, specifica.”

C’è un vantaggio nel non stare nel centro, un possibile diverso punto di vista.

Il dislocamento offre uno sguardo distorto che mette in luce il nascosto, l’invedibile, forse lo scontato. Non solo!

Uscire dal centro e camminare lungo il margine, la frontiera, la soglia è anche una scelta etica, una posizione fisica e intellettuale.

Questo mi spiega, in buona parte, il mio scrivere in brasiliano.

È innegabile, il Brasile come tutta l’America del Sud, non è il centro. Come luogo, come cultura, come economia, come lingua.

Scrivere in portoghese brasiliano, non la mia lingua madre, mi obbliga continuamente a vedere i concetti – tematici, sociali, culturali, storici – in modo differente. Un dislocamento anche del pensiero attraverso cui leggere la realtà in modo alternativo.

Nel mio prossimo libro (di cui vi parlerò a breve) scritto direttamente in portoghese, ho camminato a lungo lungo il margine. Non è stato facile, è stato uno sforzo a tratti faticoso ma importante.

Uscire dall’idea di essere al centro del mondo, il centro del mondo per guardarci con altri occhi, per mettere in luce le nostre ombre e avere la possibilità, se lo vorremmo, di capire qualcosa di più sulla complessità della realtà che ci circonda. Dalla frontiera impareremo a porci più domande che risposte, a sentire col cuore di chi ci sta vicino e che, anche se batte alla stessa velocità del nostro, sente altri odori, respiri, sogni, impareremo che le parole non hanno lo stesso significato per tutti, che la contrapposizione non è la soluzione e che noi e l’altro, in fondo, siamo lo stesso.

In questo scenario, ha un valore ancora maggiore l’opportunità di partecipare nuovamente alla Primavera Letteraria Brasiliana, organizzata da un uomo pieno di folle speranza, il professor Leonardo Tonus, che si svolgerà in Europa a fine marzo.

Con oltre 50 romanzieri, poeti, illustratori e saggisti brasiliani e portoghesi (tra cui persone che ammiro moltissimo) parteciperò alla quinta edizione del Printemps Littéraire Brésilien che prevede dibattiti, letture, saggi letterari, workshop di scrittura creativa e presentazioni di libri organizzate in librerie, centri culturali, spazi istituzionali o rivolti all’insegnamento universitario e secondario.
La programmazione è già online sul nostro sito:https://www.printempslitterairebresilien.com/

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